Bem Vindos ao blog da Manú. Este espaço é para os amigos, papais e mamães que perderam seus anjinhos!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Mães De Anjos: Lágrimas Silenciosas ...




Mães de anjo, sofrem caladas, sozinhas com medo de se tornarem repetitivas e chatas...
Carregam a dor no peito e na alma muitas vezes com um sorriso no rosto e o coração sangrando...
Tendo que encarar olhares e julgamentos, as pessoas realmente acham que ter um aborto, ou ter uma perda gestacional, não causa danos emocionais, esperam que aquela mãe volte a vida normal e tenha um luto sem muito "barulho", afinal tudo se resolve com uma nova gravidez não é mesmo?
Não entendem e nunca entenderão o quanto é difícil conviver com outras gestantes, não por inveja mas sim por se fazer lembrar de tudo que está sendo privada de viver.
Dói sim quando você tenta engravidar, e a criança é desejo de toda família e você perde, todos entram em luto...
Dói a cada vez que vemos uma gestante sem se cuidar, uma criança que sofre maus tratos, ou alguém que engravida sem querer e faz questão de jogar bem na nossa cara toda vez que tem oportunidade...
Falta empatia e muita, você que nunca perdeu um filho jamais vai entender o que é se desesperar ao ver sangue na calcinha, e ver o sangramento aumentar sem poder fazer absolutamente nada...
Você nunca vai sentir o vazio e a dor de um aborto retido na mesa de ultrassom ...
Dói ouvir do médico, isso é mais comum do que se imagina, vocês são jovens podem tentar dentro de alguns meses..
Sem falar naquelas maltratadas nos hospitais, dividindo quarto com mães se preparando para parir, ouvindo chorinho de recém nascido o tempo todo, ou pior ouvindo como aquela mulher mãe de 4 filhos enfiou uma agulha no canal vaginal para provocar um aborto em um feto com mais de 12 semanas...
E a perola mais repetida: - Foi melhor assim, do que perder mais para frente, ou ter um filho com problemas... como se a mãe que tem um filho especial fosse preferir não o ter só para não ter trabalho....
Pessoas são fúteis e cruéis quando querem..



Você não vai lidar com olhar de pena das pessoas, e as mesmas cochichando e arranjando problemas que você nem seu parceiro tem...
Você nunca vai saber o que é voltar para casa com os braços vazios...
Encarar todos, amigos e família e ter que repetir e re viver todo aquele inferno toda vez que algum inconveniente toca no assunto trocentas vezes..
Encontrar a amiga que engravidou junto orgulhosa e com um barrigão lindo e você apenas com o silêncio e o vazio da dor...
Sempre tem também a pessoa que não fica sabendo e chega feliz da vida colocando a mão na sua barriga e perguntando como está o bebe... 
Muitas falam o que na teoria é fácil e acham ter propriedade , sendo que estão pisando em um terreno totalmente desconhecido.
E se hoje você perdesse seu filho, me desculpe mas eu duvido muito, muito mesmo que você teria uma vida normal, iria a festas infantis e se divertir, veria os filhos das amigas com a mesma idade e nem por um momento se sentiria triste ao lembrar do seu anjo, ou ao ver algum brinquedo ou personagem de que ele gostava, e isso se estende para vida nas possibilidades que a vida lhe tirou, das coisas que você não viveu...
O luto tem suas fases, diferente para todos, no inicio tive uma falsa aceitação, bloqueando meus sentimentos para parecer forte pois é isso que as pessoas realmente esperam de você, depois o véu da mentira se desfez e pude viver o luto cruel , tive muito apoio do meu marido que nas crises de choro estava do meu lado segurando minha mão, o uso de calmantes também ajudaram, o tempo que deixei de tentar, se não fosse por ele não teria absolutamente ninguém para falar sobre isso, só quem entende é quem viveu esta dor, por isso mães de anjos se unem se fortalecem, enxugam as lágrimas uma da outra e felizmente são poucas que no meu ciclo de amizade passaram por isso.
Uma mãe de anjo guarda sua dor no bolso ao lado da amiga entusiasmada grávida, pois não é justo tirar esse direito de felicidade ou falar de perda onde se tem vida sendo gerada.
Existem sim mulheres que perdem seus filhos e nem ligam, ou as vezes dão graças aos céus, por não terem estabilidade, física, emocional, financeira ou um casamento decadente , Adolescentes,  para essa minoria é um alívio, por isso banalizam tanto essa dor...
O que as pessoas precisam entender sem julgar ou apontar dedos, é que precisamos por vezes nos afastar, se regenerar, curar as feridas, não é inveja, não é ciúmes é um modo de não nos machucarmos tanto...
Tentar ter um filho não resolve as coisas, um filho não substitui outro, não interessa o grau de evolução e perda , é sempre um pesadelo, não menospreze quem perdeu no início, se foi retido ou espontâneo , se teve enterro ou não...
Aquele bebe existiu foi importante , vai ser sempre o anjo de alguém, vai ser lembrado pelo resto da vida, não menospreze isso, não diminua isso ainda mais se nunca passou por isso, e nem desejo que passe, pois essa dor não é algo que a gente aceita ou se conforma e sim aprende a viver com ela....


TEXTO COMPARTILHADO DO BLOG "Diario de uma mãe de segunda Viagem"


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Estado Irreversivel

Querido filho, descobri que mãe é um estado irreversível. Depois que o gestei, nunca mais voltarei a ser quem eu era antes, mesmo que não estejamos fisicamente juntos. Entendi que a maternidade começa com o estímulo que o filho cria na mulher, ao requisitar que ela se provenha dos sentimentos necessários para recebê-lo e ampará-lo. Mas, quando esse processo interno é disparado, ganha autonomia e segue uma direção própria, que nem a ausência do filho pode mais interromper ou fazer regredir.

Independentemente de poder ou não colocar você no meu colo, ainda tenho um grande motivo para festejar: o fato de você ter despertado dentro do meu coração o amor mais puro que já senti e que continua me acompanhando após sua partida. Esse motivo sozinho é suficiente para preencher uma existência inteira.

Que honra poder criar uma vida e sentir o impulso de nos aperfeiçoarmos, para oferecer ao filho algo além de tudo o que já possuímos. Mãe gera, alimenta, protege, ensina, apoia, zela, defende, cuida... Enfim, ninguém poderia ganhar um tesouro maior do que a chance de exercer tarefas tão sublimes. Deus é realmente formidável! Que ideia genial essa que Ele teve de emprestar seus filhos para que, através da transitória experiência de sermos filhos uns dos outros (sem deixarmos de ser todos filhos Dele), possamos conhecer a Sua imensa felicidade! Sou grata a Deus por ter me dado essa inigualável oportunidade, e também a você, que foi o veículo por meio do qual pude aproveitar o divino presente que se encontra à disposição de todos aqueles que desejarem desempenhar a função de estagiário no cargo de Criador.

Os benefícios da maternidade são tão vastos, que eu gostaria de poder enviar um recado aos meus semelhantes, afirmando que não há nenhuma razão para ter medo. Os filhos jamais nos causarão danos. Eles podem, sim, nos trazer, muitas vezes, desassossego e cansaço devido aos intensos trabalhos mentais que precisaremos realizar para lhes dar educação, e também para aceitar a possibilidade de morrerem antes de nós. Um filho travesso obriga seus pais a desenvolverem a tolerância, um filho introvertido compele seus pais a cultivarem a discrição, um filho ingrato força seus pais a adquirirem confiança em seus próprios valores, um filho que morre antes de seus pais lhes impõe a necessidade de combater o egoísmo. De modo que todos os sofrimentos que porventura venhamos a suportar por causa de um filho nunca serão prejuízos, mas apenas episódios com o potencial de corrigir nossos defeitos e aprimorar nossas virtudes.


Você foi embora rápido e, por ter se despedido tão cedo, mostrou-me muitas coisas que eu precisava superar e aprender. Que generosidade a sua ter ficado aqui por um curto período, mas ter deixado para mim um bem permanente. Você me transformou numa pessoa mais forte.


Creditos da Imagem e texto:

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cruel Realidade


Ao perder um bebê a nossa realidade passa a ser totalmente diferente daquela que vivíamos!

Todos os nossos sonhos, expectativas, planos para o futuro desmoronam, e só o que nos resta é catar os caquinhos despedaçados no chão, ou melhor, no mais fundo poço que nos encontramos e tentar seguir em frente!

A partir da perda a nossa realidade é: ao invés de contar os anos comemorados ao lado deles, nós contamos os anos que os tivemos e contamos o tempo que os perdemos; 
*Hoje faz 6 anos, 2 meses e 4 dias que perdi meu bebe*

Não fazemos mais planos, não enxergamos o futuro, somente aquele estado presente que se arrasta, junto com nossa dor, que parece não ter fim!
Continuamos a viver (sim, porque é preciso), mas sem criar expectativas em cima de nada, nem de ninguém... E pode ser que com o tempo isso mude, mas pode ser que não. Comigo tem sido assim, e acredito ser assim com muitas pessoas também.

Não podemos medir a dor e o luto das pessoas. Eu sei da minha dor, ela pode ser igual, maior ou menor que a sua, porque as circunstancias que nos trouxeram luto foram diferentes, os momentos, as razões foram diferentes, mas é a mesma perda... A perda de ter um filho que amamos ser levado de nós! Algo que não é justo.
Não é justo pai e mãe perder um filho, seja como for...

A vida se encaminhou de mudar a trilha da nossa caminhada, temos que encontrar forças para seguir em frente e continuar. Fica o sonho ou ilusão de um dia poder reencontrar nossos anjinhos! E que tenhamos paz em nossos corações.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ele é meu, e eu sou dele!


Hoje eu vim falar dele... do meu príncipe, da razão da minha vida, do meu amor... meu pequeno Danilo!

Quando fiquei grávida da minha anjinha, Manuela, cresceu em mim um amor que jamais imaginei ter dentro de mim. E esse amor cresceu mais e mais conforme foram passando os meses da gravidez.

Infelizmente, minha pequena teve que partir, e todo aquele amor foi tomado por um imenso vazio, e de muita tristeza, pois na o tive tempo, nem oportunidade de dar pra ela todo esse amor e carinho que tinha dentro de mim.

Esse vazio permaneceu comigo ate dia que confirmei minha nova gravidez... Sim, depois de mais de 4 anos que minha filha tinha se transformado em uma linda estrelinha, eu estava gravida novamente.
E isso trouxe uma mistura de sentimentos indescritíveis... Estava muito feliz, ao mesmo tempo com muito medo de acontecer novamente tudo que já tinha vivido ha anos atras. Enfim, aquele amor desabrochou!


Hoje, meu bebê está com um ano e meio, e ainda assim eu olho pra ele e não consigo acreditar que ele é meu, que ele está ali, ao meu lado, que é o meu bebê!
Não sei se vocês conseguem me entender, mas eu sonhei tanto em ser mãe, em ter minha filha. Eu tinha tantos planos... e ela foi embora! Mas agora não... agora eu tenho nos meus braços o grande amor da minha vida, que me chama de "maman", que me beija, que me ama... e isso parece um sonho! 

Na escala "Danilo" de 1 a 25, como você se sente hoje?
As vezes tenho medo de acordar e tudo não passar de um sonho mesmo. De não tê-lo ao meu lado, assim como não tenho minha Manuela... Mas não, isso é real, e eu sou a pessoa mais apaixonada do mundo... apaixonada pelo meu Dandan .

O Danilo nunca, jamais, irá substituir a minha anjinha Manuela. Apesar de o amor que era dela ter sido dado pra ele, a sua ausência nunca vai ser superada. A falta que ela me faz será eterna. Eu tive dois filhos, mas só pude cuidar de um. E até quando Deus me der a oportunidade de ter vida e saúde, eu vou amá-lo e vou cuidar dele com todo meu amor, com toda minha vida!